sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A FORMAÇÃO DA POSTURA CIENTÍFICA E OS DESAFIOS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO (Trabalho para a disciplina "Introdução ao Pensamento Científico" - Professora Giseli Xavier - UFRJ)


Num mundo contemporâneo traduzido pela velocidade e multiplicidade de meios de comunicação, todos com intenso e pujante conteúdo, a informação faz circular o conhecimento, ou aquilo que se pretende sê-lo. A internet possibilita não apenas as transmissões de informação de forma vertical como há séculos o fazem os livros, os periódicos, e mais recentemente os meios propiciados pelo rádio e televisão, mas, em muitas situações, permite horizontalmente a intervenção do “sujeito que conhece” (o internauta) no “objeto conhecido” (a informação, o conceito), notadamente nos temas referentes às Ciências Sociais. Nesse sentido, meios como, por exemplo, a Wikipédia, podem dar espaço para a inserção de fraudes, desinformação, achismos, ou até conceituações formalmente bem elaboradas, mas desprovidas de verdade ou fundamento científico. A possibilidade de se produzir um vídeo, um áudio, um texto, e propagá-los para milhares ou até milhões de pessoas, dentre essas, estudantes, de alguma maneira abre espaço para o efeito danoso de mistificadores, charlatães e outros aventureiros sobre a formação da postura científica. As postagens que se pretendem informativas cientificamente  em redes sociais,  retiradas de fontes não confiáveis, por vezes criam conceitos errôneos sobre temas diversos.  Não que a internet seja um campo completamente minado para a investigação, mas os cuidados inerentes à seriedade das pesquisas devem ser sempre lembrados como elementos de uma postura científica verdadeira.  

A validade das pesquisas em qualquer campo indica uma relação direta com a própria dificuldade inerente à produção das mesmas. A facilidade da informação “mastigada” disponível em certas fontes da internet não pode prescindir de uma rigorosa postura crítica, científica, do pesquisador, da checagem das fontes, da confrontação com meios outros de informação sobre o mesmo assunto e, claro, de consultas a professores e outros cientistas. A seriedade do pesquisador deve ser tanto maior quanto mais acessível for o assunto aos multiplicadores do senso comum, aos “surfistas intelectuais” da exposição midiática, postuladores de conceitos nascidos em conversas de taxis ou botequins, nas conclusões supostamente endossadas por “o que um amigo disse”, e que se verificam notadamente, quando as falácias aventuram-se pelo campo das Ciências Sociais, em especial no campo da Educação.

A prevenção aos perigos representados pela desinformação veloz e capilarizada a que são expostas as jovens mentes passa pelo cultivo e promoção de uma verdadeira postura científica no ambiente educacional, da primeira escola à universidade. Que da curiosidade infantil se crie a experiência, que dos seus resultados surjam os questionamentos, que desses questionamentos surja o pensamento crítico a permear toda uma vida escolar.

A formação, manutenção e aprimoramento da postura científica são, no Brasil, um desafio sério, que precisa ser encarado com a devida urgência na busca de soluções para os graves problemas sociais que afligem o mundo moderno. A própria relação dos estudantes com esse desafio é o ponto principal de como o pensamento e a geração de conhecimento podem formular e propor soluções. A seriedade, rigor e método nessas formulações passam por uma universidade instrumentalizada com os meios físicos e intelectuais necessários para formação dos novos cientistas, mas que não prescinda de uma postura institucional democrática e participativa na sociedade, ou de forma mais abrangente, de uma política educacional inclusiva, que estenda o acesso à universidade a estudantes de todas as classes sociais, das quais trazem suas experiências e vivências, qualificando e enriquecendo as variáveis formadoras da construção do pensamento. Um estudante que pense soluções para sua comunidade ou seu estrato social terá os recursos intrínsecos de seu conhecimento empírico para serem problematizados sob a visão científica desenvolvida  sobre os problemas do seu lugar.

Finalizando, os desafios estão postos, num campo de batalha pleno de armadilhas e ilusões, onde a atitude, a criticidade, a seriedade a instrumentalização apropriada, são elementos fundamentais para que a verdadeira ciência prevaleça sobre o achismo, o senso comum, a ignorância, com a postura científica perpassando a produção intelectual de mestres e alunos.





Nenhum comentário:

Postar um comentário