Num mundo contemporâneo traduzido pela velocidade e multiplicidade de
meios de comunicação, todos com intenso e pujante conteúdo, a informação faz
circular o conhecimento, ou aquilo que se pretende sê-lo. A internet
possibilita não apenas as transmissões de informação de forma vertical como há
séculos o fazem os livros, os periódicos, e mais recentemente os meios
propiciados pelo rádio e televisão, mas, em muitas situações, permite
horizontalmente a intervenção do “sujeito que conhece” (o internauta) no
“objeto conhecido” (a informação, o conceito), notadamente nos temas referentes
às Ciências Sociais. Nesse sentido, meios como, por exemplo, a Wikipédia, podem
dar espaço para a inserção de fraudes, desinformação, achismos, ou até
conceituações formalmente bem elaboradas, mas desprovidas de verdade ou fundamento
científico. A possibilidade de se produzir um vídeo, um áudio, um texto, e
propagá-los para milhares ou até milhões de pessoas, dentre essas, estudantes, de
alguma maneira abre espaço para o efeito danoso de mistificadores, charlatães e
outros aventureiros sobre a formação da postura científica. As postagens que se
pretendem informativas cientificamente
em redes sociais, retiradas de
fontes não confiáveis, por vezes criam conceitos errôneos sobre temas diversos. Não que a internet seja um campo
completamente minado para a investigação, mas os cuidados inerentes à seriedade
das pesquisas devem ser sempre lembrados como elementos de uma postura
científica verdadeira.
A validade das pesquisas em qualquer campo indica uma relação direta com
a própria dificuldade inerente à produção das mesmas. A facilidade da
informação “mastigada” disponível em certas fontes da internet não pode
prescindir de uma rigorosa postura crítica, científica, do pesquisador, da
checagem das fontes, da confrontação com meios outros de informação sobre o
mesmo assunto e, claro, de consultas a professores e outros cientistas. A
seriedade do pesquisador deve ser tanto maior quanto mais acessível for o
assunto aos multiplicadores do senso comum, aos “surfistas intelectuais” da
exposição midiática, postuladores de conceitos nascidos em conversas de taxis
ou botequins, nas conclusões supostamente endossadas por “o que um amigo
disse”, e que se verificam notadamente, quando as falácias aventuram-se pelo
campo das Ciências Sociais, em especial no campo da Educação.
A prevenção aos perigos representados pela desinformação veloz e
capilarizada a que são expostas as jovens mentes passa pelo cultivo e promoção
de uma verdadeira postura científica no ambiente educacional, da primeira
escola à universidade. Que da curiosidade infantil se crie a experiência, que
dos seus resultados surjam os questionamentos, que desses questionamentos surja
o pensamento crítico a permear toda uma vida escolar.
A formação, manutenção e aprimoramento da postura científica são, no Brasil,
um desafio sério, que precisa ser encarado com a devida urgência na busca de
soluções para os graves problemas sociais que afligem o mundo moderno. A
própria relação dos estudantes com esse desafio é o ponto principal de como o
pensamento e a geração de conhecimento podem formular e propor soluções. A
seriedade, rigor e método nessas formulações passam por uma universidade instrumentalizada
com os meios físicos e intelectuais necessários para formação dos novos
cientistas, mas que não prescinda de uma postura institucional democrática e
participativa na sociedade, ou de forma mais abrangente, de uma política
educacional inclusiva, que estenda o acesso à universidade a estudantes de
todas as classes sociais, das quais trazem suas experiências e vivências,
qualificando e enriquecendo as variáveis formadoras da construção do
pensamento. Um estudante que pense soluções para sua comunidade ou seu estrato
social terá os recursos intrínsecos de seu conhecimento empírico para serem
problematizados sob a visão científica desenvolvida sobre os problemas do seu lugar.
Finalizando, os desafios estão postos, num campo de batalha pleno de
armadilhas e ilusões, onde a atitude, a criticidade, a seriedade a
instrumentalização apropriada, são elementos fundamentais para que a verdadeira
ciência prevaleça sobre o achismo, o senso comum, a ignorância, com a postura
científica perpassando a produção intelectual de mestres e alunos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário